A Secretaria de Gênero, Raça, Etnia e Diversidades da FETEERJ reafirma seu compromisso inabalável com a construção de espaços de trabalho e de representação política seguros, igualitários e livres de qualquer forma de opressão. O movimento sindical, pilar histórico da luta por direitos e justiça social, não pode ser refém de práticas que reproduzem as mesmas estruturas de desigualdade que combatemos na sociedade.
Com raízes profundas na organização social patriarcal, a dominação masculina sustenta historicamente a misoginia. Ao ser naturalizada, essa hostilidade perde o status de violação de direitos humanos, sendo erroneamente absorvida pelo cotidiano como um desdobramento natural de costumes culturais, o que dificulta sua percepção como a violência que de fato é. Infelizmente, ainda persistem no cotidiano de diversas entidades sindicais relatos de misoginia, assédio moral e marginalização das lideranças femininas. Tais comportamentos não são apenas desvios individuais, mas reflexos de uma cultura patriarcal que insiste em relegar as mulheres a espaços de subordinação, silenciando suas vozes, questionando sua capacidade de tomada de decisão e muitas vezes as colocando como se estivessem a seu serviço.
Reiteramos que a violência de gênero, em qualquer de suas manifestações, é um obstáculo direto à democracia sindical. Não há justiça trabalhista sem justiça de gênero. Por isso, a Secretaria da Mulher estabelece as seguintes diretrizes:
- Não compactuaremos com o silenciamento ou a impunidade. Indicamos que casos de assédio e discriminação sejam apurados com rigor, transparência e com o devido acolhimento às mulheres.
- Convocamos as diretorias sindicais a promoverem formações obrigatórias sobre gênero, diversidade e prevenção ao assédio, voltadas para todos os seus quadros e bases, assim como, nos comprometemos em fazer formação com relação a esta temática.
- Sinalizamos ainda que é urgente a implementação de canais de denúncia seguros e fluxos de acolhimento que protejam as mulheres que decidem denunciar, evitando a revitimização.
- A presença das mulheres deve ser garantida não apenas em números, mas em espaços reais de poder. O debate sobre a equidade precisa ser transversal em todas as pautas sindicais, desde as negociações coletivas até a gestão administrativa.
O sindicalismo do futuro é feminista ou não será. Convidamos todos os sindicatos a olharem para dentro de suas próprias estruturas. Que a nossa prática cotidiana seja a prova concreta de que o movimento trabalhista é, acima de tudo, um movimento de libertação.
Não permitiremos que a violência de gênero atrase a nossa luta. Seguiremos vigilantes, unidas e ocupando todos os espaços que nos pertencem por direito.
Secretaria de Gênero, Raça, Etnia e Diversidades da FETEERJ
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