O ato unificado no estado do Rio de Janeiro em celebração ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o 8MRJ, será realizado às 10h deste domingo, na Praia de Copacabana (Posto 3).
Mais uma vez, infelizmente, a atenção especial para este 8M será voltada para a denúncia da violência contra a mulher, que não para de aumentar. Também estaremos nas ruas, no domingo, pelo fim da escala 6×1 – o direito das mulheres ao bem viver é fundamental para que tenhamos uma sociedade mais justa.
A FETEERJ e os Sindicatos dos Professores (Sinpros) apoiam o 8M do Rio; integrantes da direção da Federação e dos Sinpros participarão da atividade, que terá atos em todo o país. Convocamos todas as professoras e professores para ocupar as ruas neste 8 de março.
Comprovando a importância da luta contra a violência de gênero, os dados são estarrecedores: o Brasil fechou 2025 com cerca de 1.470 feminicídios – média de quatro mulheres assassinadas por dia. Mais de 1 milhão de novos processos de violência doméstica ingressaram no Judiciário. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar no último ano. Em 71% dos casos havia crianças presentes. A própria casa segue como o principal local da violência.
Na capital do estado do Rio, segundo a 5ª edição do Mapa da Mulher Carioca, da Prefeitura do Rio, somente em 2024 houve 5.700 notificações de violência contra adolescentes, com três em cada cinco casos de vítimas de violência sexual sendo meninas. Como exemplo bárbaro desses números, citamos o crime que chocou todo o país: o estupro coletivo de uma estudante de 17 anos do Colégio Pedro II, perpetrado por cinco homens em um apartamento em Copacabana – sendo um colega dela de colégio, menor de idade, e outros quatro jovens adultos, que se encontram presos, depois de estarem foragidos (com a exceção do menor que teve a guarda pela polícia negada).
A FETEERJ e os Sinpros se solidarizam com a estudante e exigem que os criminosos, todos de classe média – um deles é filho de um ex-subsecretário ligado à pasta de Direitos Humanos do estado, exonerado devido à repercussão do caso – sejam severamente punidos, nos termos da lei.
PROBLEMA JÁ AFETA O COTIDIANO DAS ESCOLAS
Pesquisa sobre as percepções da comunidade escolar a respeito da violência contra meninas, desenvolvida pelo Instituto Serenas, que atua com a prevenção das violências baseadas no gênero no Brasil, trouxe dados que mostram a necessidade de discutir este tema no cotidiano da escola. Segundo o estudo, no último semestre de 2025, 42% dos professores relataram ter testemunhado situações em que meninos tocaram ou acariciaram o corpo de meninas de forma desrespeitosa ou sem consentimento. Já os que presenciaram alunos sensualizando meninas por conta da roupa ou comportamento delas representaram 23% dos respondentes.
A pesquisa também informa que 70% dos professores entrevistados presenciaram falas machistas ou assédio por parte dos alunos e a maioria deles não se sente capacitada para abordar este tipo de questão em sala de aula.
A categoria do magistério é majoritariamente formada por professoras e o tema precisa ser debatido nas instituições escolares de forma profunda e aberta, como um meio de prevenção à violência e de formação para os nossos estudantes.
Este ano, foi lançado pelo governo federal o “Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio”, em reconhecimento de que a violência contra as mulheres no país é uma crise estrutural e que não pode ser enfrentada por ações isoladas – o programa traz como uma das ideias centrais a necessidade de que os homens assumam a responsabilidade pelo fim do feminicídio.
DENUNCIE AS AGRESSÕES!
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – é um serviço nacional de utilidade pública essencial para o enfrentamento da violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via WhatsApp pelo número (61) 9610-0180. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190.
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