
Sessão do TSE, do dia 24/03, que decidiu pela inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (foto: Luiz Roberto/TSE)
Em julgamento realizado nesta terça-feira (24/03), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a oito anos de inelegibilidade por crime de abuso de poder político e econômico. Castro, que havia renunciado na segunda-feira (23/03), com o objetivo de evitar também a sua cassação e destituição do cargo, está impedido de disputar eleições até 2030, já que o prazo de inelegibilidade é contado a partir das eleições de 2022, quando houve as ações criminosas.
Por cinco votos a dois, o TSE considerou o ex-governador culpado por um esquema de contratação ilegal de mais de 27 mil pessoas, através da fundação Ceperj, no ano da eleição de 2022, com o objetivo de favorecer a campanha de aliados e do próprio governador.
O Tribunal também condenou o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) – atualmente afastado pelo STF por suspeita de atuação junto ao tráfico de drogas – com a cassação de seu mandato de deputado estadual.
ÚLTIMOS SEIS GOVERNADORES DO RIO JÁ PERDERAM O CARGO OU FORAM PRESOS
A condenação de Castro e do presidente da ALERJ escancara o cenário de vácuo de poder e corrupção no Estado do Rio, que teve quase todos os seus governadores cassados ou presos nos últimos 30 anos, com a exceção de Benedita da Silva (PT), governadora em 2002. Veja a lista:
Cláudio Castro (2021-2026); Wilson Witzel (2019-2021); Luiz Fernando Pezão (2015-2018); Sérgio Cabral (2007-2014); Rosinha Garotinho (2003-2006) e Anthony Garotinho (1999-2002)
Agora, os deputados estaduais farão uma eleição indireta no fim de abril para eleger um substituto de Castro, e também precisarão escolher um novo presidente da Alerj no lugar de Bacellar. Até lá, quem fica no governo de forma interina é o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.
A FETEERJ aplaude a decisão do TSE, que impede que o ex-governador seja candidato ao Senado. Castro, além das acusações pelas quais foi julgado no TSE, está envolvido no escândalo do Banco Master, ao liberar quase R$ 1 bilhão da previdência dos servidores do Estado para aquela instituição financeira, fechada por gestão temerária pelo Banco Central. Também adotou uma política de segurança truculenta, ineficaz, ilegal e eleitoreira, amplamente combatida por entidades de direitos humanos e pelo próprio STF.
O ex-governador também se notabilizou por pagar o pior salário de professor do Brasil e se recusar a aplicar o piso nacional do magistério. Uma vergonha, em um dos estados mais ricos do país!
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